quinta-feira, 15 de março de 2012

OBESIDADE E CÂNCER: as Doenças do Século

llO surgimento da epidemia da obesidade começa, quase que simultaneamente, na maioria dos países de alta renda, por volta das décadas de 1970 e 1980. Desde então, a maioria dos países de renda média e muitos países de baixa também se tornaram vítimas do aumento global da prevalência de obesidade em adultos e crianças.
Atualmente, a obesidade é a desordem metabólica mais comum do Ocidente. Estimativas globais recentes mostram que 1,46 bilhões de adultos estão acima do peso, (Índice de Massa Corporal, IMC > 25 Kg/m2) e 502 milhões de adultos são obesos (IMC > 30Kg/m2). 
Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer que são passíveis de prevenção, depois do tabagismo, o sobrepeso/obesidade parece ser a causa mais importante do câncer que pode ser evitada na população com estilo de vida ocidentalizado. Fato este que vem sendo comprovado por vários estudos epidemiológicos. Mulheres com excesso de peso têm risco aumentando para o desenvolvimento de câncer do endométrico e câncer após a menopausa. Além disso, evidências crescentes sugerem que o aumento da adiposidade está associada com o aumento da incidência ou morte de uma grande variedade de tipos de câncer, incluindo cólon e reto, ovário, endométrico, vesícula, esôfago, pâncreas, rim, fígado e próstata.
Sabe-se que o excesso de peso em homens e mulheres resulta no aumento de 1,52 e 1,62, respectivamente, no risco relativo de morte por câncer. E, caso a obesidade fosse prevenida, poderiam ser evitados aproximadamente 10% dos casos de morte por câncer em não fumantes.
Dessa forma, é notável que as modificações metabólicas ocasionadas pela obesidade corroborem para criação de um ambiente favorável que irá promover o desenvolvimento tumoral. 
Metformina: Nova Arma Terapêutica para o Câncer?
Recentes estudos têm demonstrado que a metformina é capaz de reduzir o risco de câncer. Além disso, observaram que substância também é capaz de reduzir o crescimento tumoral em animais induzidos à obesidade por dieta hiperlipídica. Nesse sentido, recente estudo encontrou que a metformina, em associação com o paclitaxel (quimioterápico), é capaz de reduzir o crescimento tumoral via inibição das vias de crescimento celular, diminuição da viabilidade e da proliferação celular e aumento da apoptose (morte de células cancerosas). 
Em resumo, nós salientamos que o processo inflamatório presente na obesidade é um dos principais mecanismos envolvidos no desenvolvimento da plêiade de cânceres associados à obesidade, bem como destacamos que a metformina, droga frequentemente usada para reduzir a resistência à insulina, pode diminuir a incidência de neoplasias. 

Dr. José Amando Mota é médico Endocrinologista e Metabologista

quinta-feira, 8 de março de 2012

DISTÚRBIO ANDROGÊNICO DO ENVELHECIMENTO MASCULINO E DISFUNÇÃO ERÉTIL

llO aumento da população acima dos 65 anos de idade é um fenômeno mundial que atualmente ultrapassa as fronteiras dos países desenvolvidos, chegando até os países em desenvolvimento como o Brasil. Em nosso país os dados do IBGE mostram que a expectativa de vida atual encontra-se em 68 anos e aumentará para 71 até 2015. O envelhecimento populacional suscita várias questões que englobam desde a disponibilidade de recursos públicos e privados para manutenção de aposentadorias até programas específicos de saúde e lazer voltados a terceira idade. Os aspectos relacionados ao envelhecimento bem-sucedido ganharam espaço na literatura médica e leiga, sendo que um dos fatores implicados na manutenção da qualidade de vida é a manutenção de vida sexual ativa e satisfatória.
Entre as alterações que ocorrem no envelhecimento masculino está o declínio da concentração sérica da testosterona ao longo do tempo e dependendo da magnitude que ocorre pode apresentar um impacto em várias funções, inclusive na esfera sexual.
A testosterona é um andrógeno produzido preferencialmente nos testículos após a puberdade com atuação em diversos órgãos e sistemas no organismo. Tradicionalmente relacionada ao desejo sexual masculino e à potência, seu declínio está relacionado a alterações físicas e psíquicas nos homens após os 60 anos.
Relação entre testosterona e função sexual
As alterações na função sexual de homens submetidos a privação hormonal são conhecidas desde 1934 e levam à redução da libido, diminuição das ereções noturnas e disfunção erétil (DE) na maioria dos pacientes.
O desejo sexual ou libido é o ponto inicial de partida para ocorrência e talvez seja a função mais impactada negativamente pela privação da testosterona nos homens. Muito embora essa relação só tenha sido demonstrada nos estudos populacionais em homens entre 17 e 42 anos, a melhora da libido ocorre com a reposição hormonal em homens mais velhos ou com doenças metabólicas quando dosagem de testosterona basal for inferior a 3,4 ng/mL. Apesar dos resultados dos estudos na literatura, a manutenção sexual e as disfunções são reconhecidamente de causa multifatorial.
Embora muitos estudos clínicos na área sejam controversos, é reconhecido que existe diminuição no número, tempo de duração e rigidez das ereções noturnas em pacientes com (DE) e níveis diminuídos de testosterona biodisponível.

Dr. José Amando Mota é médico Endocrinologista e Metabologista

quinta-feira, 1 de março de 2012

ULTRA-SONOGRAFIA DOS NÓDULOS DA TIREÓIDE

llA ultra-sonografia é um poderoso recurso amplamente empregado no diagnóstico e seguimento do carcinoma da Tireóide. Este método utiliza ondas sonoras para identificar e avaliar estruturas no corpo humano. A metodologia não usa radiação e, portanto, é segura e pode ser realizada quantas vezes forem necessárias.
A ultra-sonografia também é utilizada para identificar e analisar as características de um nódulo de tireóideo. Desta forma é possível saber qual a probabilidade de o nódulo ser benigno ou maligno. A ultra-sonografia é utilizada no acompanhamento de pacientes portadores de câncer da Tireóide, pesquisando a presença de gânglios no pescoço, que podem estar associados ao câncer. A ultra-sonografia também é utilizada para monitorar ou auxiliar a realização de uma biópsia de nódulos tireoideanos ou de gânglios cervicais.
A ultra-sonografia da Tireóide é um exame que não prejudica e não oferece riscos à saúde, é indolor e relativamente rápido. O paciente geralmente é colocado deitado em maca, com o rosto voltado para cima, sendo muitas vezes, solicitado a levantar levemente o queixo. Em seguida é colocado gel sobre a pele, na região anterior do pescoço, para que o aparelho deslize e tenha um bom contato com a pele. O aparelho transdutor que está em contato com a pele é deslocado em várias direções, obtendo-se desta forma uma série de imagens, que ajudarão o médico a compor o estudo completo da Tireóide e regiões cervicais vizinhas. Durante o exame, as imagens obtidas são fotografadas ou gravadas em computador, para posteriormente serem analisadas ou impressas junto ao laudo médico. Algumas vezes, o exame pode ser demorado e requer número maior de imagens ou fotografias. Entretanto, isto não significa que o nódulo seja maligno. Em muitas situações, a correta identificação das estruturas do pescoço, ou mesmo de alguns detalhes da Tireóide, pode ser mais difícil e demorada. Independente da doença da Tireóide, o tempo para a realização do exame ultra-sonográfico pode ser maior ou menor. É sempre bom lembrar que o médico que realizou o exame ultra-sonográfico não irá dar detalhes e não comentará o resultado do exame com o paciente. Isso é normal e também não deve ser encarado como mau sinal ou indício da existência de câncer da Tireóide. É necessário tempo para se analisar cuidadosamente as imagens obtidas durante o exame e também para escrever o laudo médico. O médico não dará resultado baseado somente em uma avaliação inicial, sem análise cuidadosa e detalhada de todas as imagens.
É bom lembrar que a ultra-sonografia da Tireóide é considerada pelos médicos, como uma continuação do exame físico do paciente. Portanto, ela geralmente será repetida em intervalos regulares, dependendo de cada situação ou paciente.

Dr. José Amando Mota é médico Endocrinologista e Metabologista

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

CIRURGIA PARA DIABETES

llDiabetes mellitus do tipo 2 (DM2) tem assumido proporções epidêmicas em vários países do mundo, incluindo o Brasil, sendo o aumento da prevalência do sobrepeso e da obesidade uma das principais explicações para esse fenômeno. A maioria dos autores tem preconizado a redução de peso por meio de mudanças comportamentais (hábitos alimentares, atividade física, suporte psicológico etc.) associadas, às vezes, ao uso do anorexígeno como ponto central para o controle glicêmico.
Apesar dos avanços obtidos na compreensão dos mecanismos envolvidos na fisiopatogenia da obesidade e sua relação com o diabetes acrescido ao surgimento de novos agentes terapêuticos para redução de peso, os resultados a médio e longo prazos continuam desapontadores. Segundo diversos consensos de tratamento nos pacientes com obesidade grau III ou mórbida (índice de massa corporal [IMC] igual ou superior a 40kg/m²) ou igual a superior a 35kg/m² com comorbidades graves nos quais tenha havido falha dos tratamentos clínicos, a cirurgia antiobesidade  ou bariátrica é uma opção terapêutica com sua eficácia documentada em inúmeros estudos controlados. Apesar da importância da redução de peso resultante do tratamento cirúrgico, este não parece ser o único e, talvez, nem o mais importante fator no controle e, algumas vezes, desaparecimento do diabetes.
Com a incidência de DM2 aumentando em todo o mundo e em razão de sua elevada morbidade, novas formas de tratamento vem sendo pesquisadas.  Estudo recente demonstra interessante redução de mortalidade com tratamento intensivo, com diminuição de uma morte para cada cinco pacientes tratados, porém dados do National Health and Nutrition Examination Survey mostram que o controle glicêmico adequado ocorre em somente 35,8% dos pacientes diabéticos, representando o que se vê na pratica clinica diária. Essa percepção de que o diabetes é uma doença crônica e progressiva, de difícil controle, leva a tentativas freqüentes de novas abordagens, que evidentemente necessitam passar  por um crivo científico adequado.  
O efeito das cirurgias bariátrica no controle do diabetes, assim como de novos procedimentos cirúrgicos, objetiva uma abordagem mais fisiopatológica da doença.
Sendo uma patologia milenarmente tratada de forma clínica, uma série de controvérsias éticas surge na análise e aceitação dos procedimentos cirúrgicos para tratamento e eventual remissão do diabetes.
Procedimentos cirúrgicos em diabéticos obesos têm conseguido levar a remissão por longo prazo. A cirurgia bariátrica, especialmente a gastroplastia com derivação gástrica em Y de Roux e cirurgias disabsortivas, é efetiva em controlar o DM2 em cerca de 80% a 100% dos pacientes.
Um estudo de metanálise mostrou remissão de 80% dos casos de DM2 em 22.094 pacientes avaliados. 

Dr. José Amando Mota é médico Endocrinologista e Metabologista

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

GENOMA HUMANO

llConsiderado uma das maiores realizações da ciência em todos os tempos, o Projeto Genoma Humano catalogou e esta decifrando todas as informações genéticas contidas nos cromossomos humanos..
Essas informações, chamadas genes, determinam nossa vida desde a concepção, governando o desenvolvimento do embrião e do feto, as diversas fases de crescimento e de maturação de nosso corpo e, finalmente, seu envelhecimento.
• Genoma: é o conjunto do material genético contido nos cromossomos. Esse material abriga todas as informações necessárias à formação e ao desenvolvimento de um indivíduo.
• Células: contêm, em seu núcleo, 46 cromossomos, que armazenam as informações que instruem o funcionamento do organismo.
• Cromossomos: neles estão contidos cerca de 50 mil genes, que atuam para formar as características individuais e compõem o genoma.
• DNA: matéria-prima dos cromossomos, composta por seqüências de quatro substâncias químicas, as bases nitrogenadas A, T, C e G, respectivamente, adenina, tiamina, citosina e guanina. Um erro (mutação) nas seqüências pode resultar numa doença.
Estima-se que existem quatro mil doenças hereditárias. A doença genética ocorre a partir de uma mutação, que pode ser transmitida com a reprodução do gene defeituoso dos pais para os filhos.
As diferenças entre indivíduos são, em larga medida, determinadas por pequenas variações nos genes. Algumas delas são óbvias, como a cor da pele e a do cabelo. Mas diferenças genéticas também influenciam, por exemplo, em nossa suscetibilidade ou resistência a determinadas doenças.
A informação contida nos genes pode sofrer alterações, espontaneamente ou através de agentes como radiações, poluentes, etc. Essas alterações - chamadas mutações – podem causar doenças genéticas e, conforme o caso, ser transmitidas através das gerações. 
Assim, conhecer nossos genes, saber o que cada um deles controla no organismo, entender como funcionam, nas diversas fases de nossa vida são informações fundamentais para o progresso da medicina.
Atualmente, podemos “ler” com facilidade a informação contida nos genes, por meio de uma tecnologia conhecida como seqüenciamento de DNA.
O DNA (ácido desoxirribonucléico) é a substância que constitui os genes, composta pelo arranjo seqüencial de quatro componentes básicos denominados nucleotídeos: as “letras” da informação genética. Essa seqüência de “letras” varia de gene para gene. As diferentes seqüências (com centenas ou milhares de nucleotídeos) são as “palavras” da informação genética, contidas nos genes. Os genes estão abrigados em nossos cromossomos, que seriam os “livros” dessa biblioteca da vida, existente em cada uma de nossas células.
As possibilidades abertas pela genética genômica são muitas e, sem dúvida, mudarão a medicina já nesta segunda década do século 21. 

Dr. José Amando Mota é médico Endocrinologista e Metabologista

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

OBESIDADE Presente e Futuro


llA obesidade já é caracterizada por muitos como uma pandemia. As causas são as mais variáveis possíveis, passando pelas emocionais, sociais e biológicas. Pelas complicações como importante agravo à saúde, diversas soluções imediatistas são adotadas. Os apelos são sempre os mesmos: “perca....quilos em....dias”. De fato, a perda de peso pode ser um alento a quem desenvolveu a obesidade, porém não ataca a causa, ou seja, o agente promotor dessa mudança de padrão. Sendo as causas variadas, as soluções também devem ser. Adotar uma dieta que eleja determinado grupo de alimentos como responsável pela obesidade é, sem dúvida, uma abordagem por demais reducionista e não enxerga a complexidade do ser humano. Além do mais, ao alcançar os primeiros quilos reduzidos, a celebração será a comemoração.
Em 1972, um dos grandes best sellers do universo das dietas teve seu primeiro lançamento, com o título A dieta revolucionária do Dr. Atkins. Relançado 20 anos após, vendeu aproximadamente 12 milhões de cópias. Além das cópias vendidas, o Dr. Atkins criou, mais recentemente, uma companhia que desenvolvia os produtos baseados em sua dieta.
Falecido em 2003, o cardiologista Dr. Robert Coleman Atkins teria hoje a realidade das ações de sua empresa caindo no mercado. Apontado por alguns especialistas, esse fato seria conseqüência da falta de ciência na dieta proposta pelo Dr. Atkins, que, ao longo de sua vida, dizia ser um clínico e não pesquisador.
As dietas da moda são anualmente lançadas com a proposta de resolver a obesidade. O que podemos concluir é que as dietas não funcionam. A constatação é simples: todos os indivíduos obesos já fizeram pelo menos uma dieta e continuam como estavam. Isso significa que o estudo pormenorizado da ingestão alimentar, da prática regular de atividade física, do estado emocional e da presença de doenças determinantes da obesidade é fundamental ao sucesso no tratamento da obesidade.
Políticas públicas visando tratar dos fatores diretos e indiretos da obesidade são adotadas em alguns países:
• Criar ambientes propícios às atividades físicas regulares.
• Estimular também a vida mais ativa, como a iniciada pelo “Agita Osasco”.
• Desenvolver cardápios mais nutritivos em escolas e empresas, fazendo com que a rotina alimentar mais saudável seja adotada.
• Orientar o consumo alimentar familiar, sendo a refeição um fim em si mesma, e não um agente acessório como TV, computador etc.
• Desenvolver centros formados por equipes multidisciplinares de apoio a distúrbios emocionais associados à obesidade.
Essas estratégias demonstram a complexidade do tema e o cuidado que deve ser dado a ele, evitando sua banalização.

Dr. José Amando Mota é médico Endocrinologista e Metabologista

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bisfenol A, Obesidade e Diabetes

llO Bisfenol A (BPA), substância presente em alguns tipos de plástico, mamadeiras, chupetas e embalagens em geral, está relacionada à obesidade e ao Diabetes tipo 2.
Uma pesquisa realizada por uma equipe de pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard acaba de alertar que, ao consumir comida enlatada, há um aumento de 1000% dos níveis de bisfenol A no organismo.
Pela primeira vez, os cientistas conseguiram quantificar a substância em humanos. Foram feitos exames de urina em dois grupos de indivíduos. Um dos grupos, composto de 35 pessoas, tomou sopa enlatada por cinco dias seguidos. O grupo controle, com a mesma quantidade de pessoas, consumiu sopa fresca do mesmo sabor da enlatada.
A avaliação das amostras de urina mostrou que após dois dias do consumo das sopas preparadas com legumes enlatados, o aumento de bisfenol A no organismo foi de 1221% em comparação com as amostras de segundo dia após a ingestão de sopa com ingredientes frescos.
Pesquisas anteriores já haviam ligado os níveis altos de bisfenol aos efeitos nocivos à saúde. O objetivo foi descobrir como é o mecanismo de exposição ao BPA.
Comidas armazenadas em plásticos rígidos podem aumentar a quantidade de bisfenol no corpo. Este novo estudo sugere que os alimentos enlatados implicam em uma preocupação ainda maior, especialmente, porque são utilizadas em larga escala.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia vem liderando uma campanha nacional intitulada: “Diga não ao bisfenol A, a vida não tem plano B”. A pressão sobre as agências reguladoras já surtiu efeito a partir do dia 1º de janeiro de 2012 está proibida a venda de mamadeiras ou outros utensílios para lactentes que contenham a substância Bisfenol A (desregulador endócrino). A determinação é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Dr. José Amando Mota é médico Endocrinologista e Metabologista